De Benjamin a Srur: arte como mercadoria vs. arte com mercadoria

A arte como mercadoria é um conceito intensamente discutido desde os tempos da Escola de Frankfurt, quando o pensador Walter Benjamin (1892-1940) criticava a nova Indústria Cultural em seu famoso texto A Obra de Arte na Era da Reprodutibilidade Técnica, publicado em 1936. Para ele, a reprodução em massa da arte era uma forma de massificar a cultura. Aliás, não poderia ser chamada de arte e sim, produto, mercadoria.

O artista plástico Andy Warhol foi um dos artistas que passou a utilizar ícones da cultura pop e elementos da propaganda para criar suas obras de arte a partir da década de 1960. A mais famosa delas é a pintura de Marilyn Monroe, Marilyn. O quadro traz a imagem da atriz em quatro versões diferentes. Sua Pop Art uniu a cultura pop às artes plásticas, contradizendo os conceitos até então tidos como arte pela Escola de Frankfurt.

A nova campanha de publicidade da Leroy Merlin também coloca em xeque esse embate entre arte e mercadoria. O artista convidado Eduardo Srur teve o desafio de criar um conceito e selecionar sete artistas que fizessem arte com as mercadorias encontradas nas lojas da rede. Assim, foram convidados Flávia Junqueira, Selvvva, Yoann Saura, Tulio Pinto, Luo Capote, Laerte Ramos e Carol Gay. O registro audiovisual foi realizado por ninguém menos que Robert Yeoman, indicado ao Oscar de 2015 pela direção de fotografia do filme O Grande Hotel Budapeste, função que ele também realizou na campanha publicitária.

Segundo Carla Ramos, diretora de Comunicação da Leroy Merlin, o objetivo da campanha é trazer a sutileza das mercadorias encontradas nas lojas e colocá-las em ambientes emocionantes. “Por meio da expressão artística, acreditamos ter conseguido manifestar o sentimento de entender e atender o nosso Cliente plenamente sob uma perspectiva de beleza e inovação”.

Eduardo Srur e sua equipe aceitaram o desafio se contrapondo ao conceito da Escola de Frankfurt, criando uma coleção com 14 obras de artes, algumas delas expostas na Galeria Rabieh. As peças expostas, presentes nas obras, têm valores únicos: um martelo, um balde de tinta, cada objeto tem um significado diferente para o consumidor, agora espectador.

 

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