Quando o empresário Paulo Brunholi resolveu investir na exportação da caipirinha engarrafada produzida por sua empresa, a Villa Brunholi, não imaginava que a “aventura” pudesse causar prejuízo. Afinal, seu produto era requisitado por estrangeiros, que levavam garrafas e garrafas da loja no Brasil como suvenir, e ele havia encontrado a possibilidade de entrar no mercado externo. Mas a falta de conhecimento pesou na hora de fechar os primeiros negócios no exterior. “Nós não conhecíamos o mercado, os processos e acabamos perdendo dinheiro. Por isso eu digo que ter conhecimento é o principal. Não acredite em todo mundo, estude, leia a legislação sobre o que pode e o que não pode em cada país”, recomenda.

Exportação

Hoje, com mais conhecimento e com um bom parceiro comercial – a chamada “trading company” –, a caipirinha de Brunholi está embarcando para ser vendida em Portugal e, posteriormente, em outros países europeus. Desta vez, porém, Brunholi tem representação em Portugal, testou o produto em feiras de negócios e encontrou uma trading que já atua no segmento.

“Ainda acredito no mercado dos EUA, mas o custo para entrar é muito alto, são muitos registros, muitas licenças”, diz. Em Portugal, a garrafa deve ser vendida por uma média de 9 a 11 euros (de R$ 38 a R$ 46, de acordo com a cotação do início de julho/19). No Brasil, o produto sai por um valor médio de R$ 45.

Faturamento

De acordo com Brunholi, neste primeiro momento as exportações devem responder por 5% do  faturamento da empresa. No atual momento, o valor da cotação do real em relação ao dólar e ao euro tornam o cenário até mais atrativo para as empresas que querem exportar, mas, para o empresário, esse não deve ser o principal fator para a internacionalização.

“A pessoa que pensar apenas no benefício cambial está enganada. Pode até aproveitar o momento, mas precisa ser competitivo em qualquer cenário. A exportação faz com que você aumente a produção e passe a ganhar no volume”, afirma.

Toque brasileiro

Assim como a caipirinha da Villa Brunholi, produtos de micro e pequenas empresas brasileiras encontram no mercado externo um caminho para faturar mais, diversificar a carteira de clientes e fortalecer a marca. De acordo com o DataSebrae, a participação das MPEs no total de empresas exportadoras alcançou o recorde de 40,8% no ano de 2017.

Já a participação dos pequenos negócios no valor total de exportações brasileiras, porém, é bem mais baixo: 0,54% em 2017. Isso se explica pela “concorrência” com grandes empresas e commodities agrícolas e minerais (soja, minério de ferro, petróleo), além de carne bovina e frango.

As exportações das MPEs brasileiras têm características muito diversificadas: destacam-se pedras preciosas trabalhadas, madeira, calçados e seus componentes, produtos de perfumaria/cosméticos. Além disso, tudo aquilo que tem um “toque” brasileiro ou se caracteriza como algo típico do Brasil tem boa aceitação no exterior.

Tabu

O temor de se arriscar no mercado internacional é uma constante para os pequenos negócios, tanto é que muitos recomendam a parceria com uma empresa de trading para planejar a operação.

No entanto, para a consultora do Sebrae-SP Angelica Marquez Posadas, especialista em comércio exterior, é preciso desmistificar essa ideia de dificuldade. “Existe um tabu a respeito do mercado internacional, de que é difícil acessar, de que há muita burocracia, muitas barreiras. E isso não é verdade”, afirma.

De acordo com a consultora, o que é necessário, isso sim, é participar de feiras, missões e rodadas de negócios internacionais, assim como buscar o auxílio de entidades como o Sebrae-SP, que apontam os atalhos para a internacionalização.

“Uma das principais dificuldades é não saber precificar o produto, pois são vários fatores que precisam estar na planilha, como todos os custos logísticos, por exemplo”, diz. Não por acaso, um relatório divulgado pelo Sebrae mostra que, de 2010 a 2018, entre 40% a 50% das MPEs exportadoras do país receberam apoio da entidade para acessar o mercado externo.

Outra vantagem da internacionalização é que as MPEs podem exportar mesmo quando estão no limite do faturamento, de acordo com a legislação que rege o Simples Nacional. Ou seja, a empresa pode faturar até o limite R$ 4,8 milhões anuais e, além disso, exportar o mesmo valor em mercadorias e serviços.

Fonte: Agência Sebrae