Oracle apresenta estratégia end-to-end para varejo escalar IA

Digitail Conference 2026 destacou como plataformas integradas podem apoiar varejistas em operações críticas, de supply chain à gestão de pessoas

A Oracle apresentou, durante o Digitail Conference 2026, sua visão para o futuro do varejo inteligente, baseada na integração entre dados, inteligência artificial, aplicações empresariais e processos de negócio em uma estratégia end-to-end.

Na apresentação “Construindo o Varejo Inteligente: A Força de uma Estratégia End-to-End”, Renata Pessoa, vice-presidente de Vendas para a América Latina da Oracle, e Marcelo Dolis, diretor de Arquitetura Empresarial para Varejo no Brasil e MCR da Oracle, defenderam que a transformação digital do setor depende de plataformas capazes de conectar áreas críticas da operação, como supply chain, planejamento, finanças, recursos humanos, sortimento e experiência do consumidor.

O cliente sabe que está fazendo parceria com quem pensa no todo”, afirmou Renata. “Em um cenário de pressão por margem, eficiência, gestão de estoques, velocidade de resposta e melhora da experiência do cliente, a tecnologia deixou de ser apenas uma área de suporte e passou a ocupar papel estrutural na estratégia dos varejistas.

A Oracle atende mais de 2 mil marcas e empresas do varejo globalmente, impacta mais de 100 bilhões de transações e alcança 380 milhões de consumidores em 96 países, segundo dados apresentados no painel. A companhia afirma que essa escala permite levar ao setor uma combinação de cloud, aplicações empresariais, inteligência artificial, dados e soluções especializadas para diferentes segmentos, como moda, supermercados, farmácias, conveniência e operações digitais.

A escala global da Oracle foi apresentada como um dos elementos de sustentação dessa estratégia. No ano fiscal de 2025, a empresa registrou receita de US$ 57 bilhões e, desde 2012, investiu mais de US$ 90 bilhões em pesquisa e desenvolvimento. Para os executivos, essa capacidade de investimento ajuda a acelerar a evolução das plataformas usadas por varejistas em áreas como supply chain, planejamento, finanças, gestão de pessoas e experiência do consumidor.

Plataforma integrada como base para IA no varejo

Durante a apresentação, Dolis destacou que um dos diferenciais da Oracle está na combinação entre tecnologia e conhecimento da operação varejista. Segundo ele, a proximidade com os desafios reais do setor é essencial para desenvolver soluções aderentes aos indicadores de negócio.

“Grande parte das pessoas que trabalham na unidade de varejo hoje são ex-varejistas. Esse é um mantra nosso: tem que ter encostado a barriga no balcão”, afirmou. “Tem que conhecer a dor de trabalhar no varejo para entender quais são os KPIs extremamente relevantes.”

Para o executivo, varejistas precisam avaliar até que ponto faz sentido desenvolver internamente toda a infraestrutura tecnológica necessária para acompanhar o ritmo de inovação do mercado. A alternativa, segundo ele, está em combinar plataformas robustas com capacidade de personalização.

“Ou você desenvolve ou você compra. Mas o certo é a mistura dos dois: comprar e personalizar”, disse Dolis. “A plataforma permite personalizar o seu negócio, ter autonomia para mexer nele, mas a partir de alguma coisa pronta.”

A integração foi apontada como elemento central para acelerar o uso de inteligência artificial no varejo. De acordo com Dolis, uma plataforma única permite trabalhar com um modelo de dados mais consistente, reduzir complexidades operacionais e aplicar IA diretamente em processos de negócio.

“Qual é a grande vantagem de rodar sobre uma plataforma única? Integração”, afirmou. “É uma única IA, um único modelo de dados, um único modelo de contrato. Tudo se simplifica.”

O executivo também diferenciou o uso de IA generativa das aplicações voltadas à tomada de decisão operacional. “A IA generativa é maravilhosa, mas o que traz dinheiro é a IA prescritiva, que dá negócio”, disse.

Entre os exemplos citados está o uso de modelos matemáticos para previsão de vendas e transferência de demanda entre produtos. Em uma situação de ruptura de estoque, por exemplo, a tecnologia pode ajudar a indicar qual item tem maior probabilidade de substituir o produto indisponível na decisão de compra do consumidor.

“Faltou um produto na minha loja. Quem substitui esse produto?”, questionou Dolis. “Se você perguntar para o gerente, talvez ele conheça um ou outro. Quando você pega uma cadeia com muitos SKUs, vira um caos. A IA vem para isso.”

Uma lógica pensada a partir de casos reais

A apresentação também trouxe exemplos de clientes que utilizam soluções Oracle em diferentes etapas da operação varejista.

Um dos casos destacados foi o da Lojas Renner, parceira da Oracle há décadas. Segundo Dolis, a varejista passa por uma transformação digital ampla, com movimento para SaaS e uma de suas marcas já operando 100% em cloud com plataforma Oracle.

“Estamos fazendo uma transformação digital total da Renner, pensando e movendo tudo para SaaS”, afirmou. “Já temos uma marca da Renner rodando 100% cloud hoje com toda a plataforma Oracle fim a fim sendo base para rollout para toda a empresa. Isso é um orgulho gigante para a gente.”

Renata Pessoa explicou que, nesse tipo de projeto, a Oracle considera tanto a cadeia de missão crítica do varejo quanto áreas que sustentam a operação, como finanças, pessoas, planejamento e processos corporativos.

“Quando vamos desenhar uma entrega para o nosso cliente de varejo, pensamos nessa cadeia inteira”, disse. “Talvez o cliente queira começar apenas com RH, ou com sortimento, ou com planning. Tudo é modular, mas, quando desenho o planning, sei que tudo vai acontecer.”

No setor de moda, a Oracle citou ainda C&A, Prada e Louis Vuitton como exemplos de operações que utilizam suas plataformas. Para Dolis, a capacidade de adaptar uma mesma base tecnológica a diferentes realidades é um dos pontos centrais da estratégia.

“Se você entrar em qualquer Prada do mundo hoje, a sua experiência de compra é em cima de plataforma Oracle, que é a mesma que roda na C&A”, afirmou. “Isso mostra como ela é capaz de se adaptar à necessidade do cliente.”

Em segmentos de alta complexidade operacional, foram citados casos como Kroger, maior varejista alimentar dos Estados Unidos; Farmacias Del Ahorro, maior rede de farmácias do México; e Oxxo, no Brasil.

Segundo Dolis, toda a cadeia de supply chain da Oxxo Brasil é operada com Oracle. A operação, de acordo com o executivo, tem alta complexidade por considerar não apenas o estoque em loja, mas também o estoque em trânsito, nos caminhões a caminho das unidades.

“Hoje eles abastecem diariamente 700 lojas, com uma média de 3 mil a 5 mil SKUs por loja”, afirmou. “Conseguimos ter uma assertividade de previsão de vendas acima de 85%. Para quem conhece esse mundo de previsão, sabe que é um número excelente.”

Outro exemplo citado foi o da Flink, rede alemã de supermercados 100% digital. Segundo Dolis, a empresa utilizou o motor da Oracle para viabilizar entregas em até 30 minutos na casa do consumidor, sem customização.

Infraestrutura e IA embarcada

Renata também destacou o papel da infraestrutura para dar escala ao uso de dados e inteligência artificial. Segundo ela, as soluções da Oracle rodam sobre a própria cloud da companhia, com a infraestrutura necessária incluída na subscrição.

“Quando eu vendo, vendo uma subscrição que inclui tudo o que precisa para rodar”, disse. “Não tem surpresa de usar IA e não saber quanto custa. Ela está dentro da subscrição.”

Além de supply chain, planejamento, sortimento, finanças e experiência de compra, a gestão de pessoas foi apresentada como uma frente estratégica para o varejo. O caso da Magalu foi citado como exemplo de transformação da área de recursos humanos em uma empresa de grande escala.

Segundo Renata, a varejista está implementando um projeto de transformação completa da gestão de pessoas com a Oracle. A escolha da plataforma, de acordo com a executiva, considerou três fatores: aderência funcional ao varejo, evolução trimestral da solução e inteligência artificial embutida nos processos.

“Se tem uma indústria que tem cara, é o varejo. É a pessoa, seja ela no bot, seja no balcão”, afirmou Renata. “A IA vem de forma natural dentro daqueles processos. Não é uma coisa à parte, não é uma extensão que depois você vai juntar e grudar.”

Tecnologia passa a fazer parte do core do varejo

Na visão apresentada pela Oracle, a transformação digital do varejo não deve ser conduzida como uma coleção de ferramentas desconectadas. O ganho para o setor está na capacidade de integrar processos, dados e decisões em uma arquitetura única, capaz de dar velocidade à operação sem limitar as particularidades de cada negócio.

“Vamos falar sobre negócio. Qual é a dificuldade que você tem no seu business hoje?”, afirmou Dolis. “Esquece produto. Vamos entender o que podemos aportar de conhecimento.”

Ao reunir casos de moda, supermercados, farmácias, conveniência, supply chain e gestão de pessoas, a apresentação da Oracle no Digitail Conference 2026 reforçou que o avanço do varejo inteligente depende menos de uma tecnologia isolada e mais de uma estratégia integrada. Em um mercado no qual IA, dados e automação passam a fazer parte do core da operação, a vantagem competitiva tende a estar na capacidade de transformar integração em eficiência, velocidade e resultado.

Tecnologia / Inteligência e Inovação

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