TV é o que mais cresce no consumo de podcast
Levantamento da Edison mostra que 13% dos ouvintes semanais nos Estados Unidos usam a televisão como aparelho principal, contra 1% em 2021
A televisão se tornou o dispositivo de maior crescimento no consumo de podcast nos Estados Unidos. Segundo dados do Edison Podcast Metrics, 13% dos consumidores semanais de podcast com 13 anos ou mais no país afirmam usar a TV com mais frequência para acompanhar programas.
O smartphone segue como líder isolado, mas a televisão praticamente alcançou computadores e notebooks na disputa pela segunda posição. O movimento indica deslocamento do consumo para a sala de estar.
Crescimento de 1.200% em cinco anos
A velocidade da mudança é o dado mais expressivo do levantamento. Em 2021, apenas 1% dos consumidores semanais apontava a televisão como dispositivo principal para podcast. O índice subiu para 4% em 2022, 6% em 2023, 7% em 2024, 11% no ano passado e chegou aos atuais 13% no primeiro trimestre de 2026. A variação acumulada é de 1.200% em cinco anos.
Os números vêm da pesquisa trimestral Podcast Metrics, aplicada pela Edison com consumidores semanais de podcast nos Estados Unidos a partir de 13 anos.
A Edison associa a tendência ao avanço do YouTube no setor. Segundo o levantamento, quem indica o YouTube como plataforma mais usada para podcast tem probabilidade consideravelmente maior de apontar a televisão como dispositivo principal, o que liga o crescimento do vídeo à mudança no local de consumo.
Interesse dos serviços de streaming
O crescimento do consumo em TV ajuda a explicar por que serviços de streaming passaram a tratar podcast como algo além de produto de áudio. À medida que mais pessoas assistem em televisões conectadas, o formato se aproxima da lógica televisiva: conversas longas, entrevistas com celebridades, análise esportiva e séries de true crime capazes de sustentar a atenção por uma hora ou mais.
Do ponto de vista das plataformas, isso significa programação de custo relativamente baixo e alto engajamento.
A Netflix é a que se moveu com mais agressividade. A empresa lançou uma área dedicada a podcasts em vídeo, licenciou programas de grandes redes e passou a produzir podcasts em vídeo originais, em disputa direta com o YouTube pela atenção do espectador. Executivos da companhia apresentam os podcasts como forma de ampliar a oferta de entretenimento, aumentar as horas de visualização e criar mais espaços publicitários no plano com anúncios.
O Hulu adota caminho distinto. Em vez de construir um destino próprio para podcasts, a plataforma tem levado criadores digitais e programação de conversa para o serviço, além de apoiar podcasts complementares ligados a suas séries originais. A abordagem parte do reconhecimento de que o público consome conteúdo conduzido por personalidades ao lado da televisão tradicional.
Fronteiras cada vez menos nítidas
O deslocamento reforça a discussão sobre o que passa a ser considerado podcast, tema que aparece também na iniciativa recente dos AMP Accords, voltada à padronização de métricas do setor.
Um meio que nasceu centrado em áudio caminha para se tornar experiência de vídeo na sala de estar. Isso abre novas possibilidades para publishers de podcast e garante aos serviços de streaming uma oferta constante de programação barata que estimula o espectador a permanecer mais tempo na plataforma. Conforme os dados da Edison indicam, a migração do smartphone para a televisão torna cada vez menos nítida a separação entre aplicativos de podcast, YouTube e serviços de streaming.
Por Podcast Newsdaily