A Ilusis Interactive Graphics, após seis anos de namoro com a Sony, conseguiu desenvolver um jogo que será lançado para o Playstation 4

foto ilustraçãoFundada em 2008 e, desde então, em negociações com a Sony para desenvolver jogos para os consoles da marca, a Ilusis é a primeira empresa brasileira a lançar um game para o Playstation 4.  O CEO da empresa Rodrigo Mamao chegou em 2009 na equipe, segundo ele, contratado para fazer a parte chata do processo. “Eu não sei programar, não sei fazer arte. Entrei para fazer negócios, e é o que eu sei fazer”.olho-1-14-abr

O investimento inicial de R$ 100 mil foi dividido entre a compra de computadores, licenciamento de softwares e uma reserva suficiente para manter as operações de um escritório de pequeno porte. Com o objetivo de captar mais recursos para a estruturação da empresa e o recrutamento de novos colaboradores, os sócios mapearam as iniciativas governamentais onde poderiam emplacar seu projetos, como a Finep (Financiadora de Estudos e Projetos) e a Fapemig (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais). “Conseguimos investimentos governamentais para a subvenção de projetos. Levávamos esses projetos com bastante seriedade e isso nos deu fôlego, fizemos investimentos em pesquisa e desenvolvimento”, conta Mamao.

Em um festival de games em Minas Gerais, o SBGames 2008, se deu o primeiro contato da Ilusis com a gigante Sony. As negociações começaram no mesmo momento, porém o desenrolar foi complicado. A empresa brasileira não tinha a tecnologia adequada para desenvolver games ainda. Longe dos Estados Unidos e da Europa, a empresa inicialmente precisava de uma parceira de fora para desenvolver e publicar seus jogos para os consoles.

???????????????????????????????Junto a uma empresa americana licenciada, começaram um projeto que não saiu do papel. Para desenvolver um jogo para os consoles da Sony, é necessário um hardware especifico, o Dev Kit. “Esse era um novo problema, a Sony não podia mandá-lo diretamente para o Brasil, então tivemos que ir buscar. Pegamos o dispositivo de desenvolvimento de jogos para o Playstation Portátil (PSP)”.

“Em 2012, conseguimos o licenciamento e o acesso a outras duas plataformas, a Playstation Vita e o PS3, tudo com as mesmas dificuldades burocráticas. E em 2014 conseguimos o Dev Kit do PS4”, conta o CEO. Com o fim da saga burocrática, era hora de apresentar ideias que comprovassem que valeu a pena toda essa negociação. “O Krinkle Krusher foi enviado à Sony no papel para aprovação. E ainda falamos: ‘é esse o jogo, nós vamos lançar e publicar sozinhos’. Depois de tanta negociação, conseguimos ser desenvolvedores e publicadores de jogos”.

Com o jogo aprovado, começou a parte de desenvolvimento do projeto, responsabilidade total da Ilusis.  Parte técnica, financiamento, marketing e distribuição ficaram sob custódia da empresa. “O que nós usamos deles é a olho-2-14-abrplataforma de distribuição, que é a Playstation Network, onde os players fazem o download dos games”, fala Mamao.

Segundo o empresário, a comunidade de desenvolvimento de games existe no Brasil, mas é difícil saber ao certo quantos estúdios estão desenvolvendo e produzindo para consoles. “Pelo que a gente sabe, a maioria está desenvolvendo games para mobile. As barreiras da Apple Store e do Google Play são quase nulas e um estúdio de uma pessoa só é capaz de desenvolver um game para celular”. Mas, mesmo com a dificuldade de produzir para os consoles do exterior, ele acredita que em 2015 ainda serão lançados outros games brasileiros para PS4.

Com a ajuda financeira do Horizon TI, fundo de investimento de Belo Horizonte, em 2013, a Ilusis pôde se dedicar ao desenvolvimento do Krinkle Krusher. Hoje a empresa tem mais autonomia nas suas decisões por ter um respaldo financeiro e não precisar tomar decisões precipitadas. Em 2015, o objetivo é fazer com que o jogo se torne multiplataforma e lançá-lo para consoles da Microsoft. “Após o pequeno período de exclusividade que temos com a Sony, e isso é bom porque nos dá visibilidade, lançaremos para outros videogames. Já estamos em negociação para trazer o hardware do Xbox One e do Xbox 360º”.

O Krinkle Krusher foi lançado apenas nas Américas. Para alcançar outros continentes, principalmente a Ásia, é necessário parceiros de negócios, segundo o CEO da empresa. “Temos alguns projetos na gaveta e, dependendo do resultado, lançaremos outro título para esse universo de console”, finaliza Mamao.