As forças policiais europeias estão preocupadas com a tecnologia 5G. De acordo com a Europol (Agência da União Europeia para Cooperação Policial) a quinta geração da telefonia móvel pode dificultar investigações criminais. Os responsáveis pela segurança da região não estão convencidos de que poderão rastrear suspeitos de maneira efetiva quando a “super internet” estiver sendo usada comercialmente. O 5G estreou em maio no Reino Unido e já funciona na Coreia do Sul e em algumas partes dos EUA desde abril. A expectativa é de uma enorme evolução dos telefones celulares.

Adaptação tecnológica

Em entrevista à agência Reuters, a diretora da Europol, que coordena todos os esforços policiais da Europa, disse que hoje faltam ferramentas para investigar criminosos que usam ou vão usar a quinta geração de tecnologia.  Catherine De Bolle explicou que a vigilância por meio das redes 4G tem sido “uma das ferramentas mais relevantes” para forças policiais e de segurança. Mas admitiu que faltam regulamentação e tecnologia para manter o mesmo tipo de monitoramento quando as redes atuais se tornarem obsoletas.

O 5G, segundo De Bolle, “faz com que o monitoramento de criminosos seja mais difícil porque (a rede) dispersa os dados em muitos elementos do sistema”. De Bolle afirma que ferramentas e técnicas desenvolvidas para o 4G demonstraram ser úteis para combater organizações criminosas e também para localizar vítimas em casos de sequestro.

As autoridades policiais europeias conseguem ouvir e rastrear criminosos procurados usando dispositivos de comunicação móvel na rede 4G, mas “não podemos usá-los na rede 5G”, disse De Bolle à Reuters.

Contraponto

O GSMA, associação que representa os interesses das operadoras de redes móveis em todo o mundo, classificou como “surpreendentes” as afirmações da diretora da Europol uma vez que, de acordo com a entidade, é possível o rastreamento legal por meio do 5G.

Há conversas em curso entre governos e empresas de tecnologia em busca de alternativa para cobrir eventuais brechas de segurança. Mas, para De Bolle, essas conversas começaram tarde demais. A GSMA, que ajuda a coordenar o desenvolvimento de tecnologia móvel, diz que a chegada do 5G não significa que agora os criminosos não poderão ser seguidos ou interceptados.

“A indústria móvel e qualquer pessoa envolvida no desenvolvimento do 5G estão muito conscientes da necessidade de fornecer acesso legal às redes de telecomunicações quando as implementamos”, esclareceu a associação.

Quinta geração

De Bolle conversou com a Reuters antes da divulgação do informe da Europol que abordou ameaças das tecnologias futuras para o trabalho da própria entidade e também para os esforços das autoridades policiais no combate ao crime. Além do 5G, o alerta da instituição europeia advertiu sobre outras ameaças potenciais como o uso de veículos autônomos como armas que podem ser usadas por “terroristas”. O texto também fala da capacidade de computadores quânticos decifrarem sistemas codificados.

O 5G é a quinta geração de conectividade móvel que promete acesso muito rápido a dados, uma ampla cobertura e conexões mais estáveis. A indústria de telecomunicação pondera que o 4G não vai desaparecer. Argumenta ainda que, apesar de o uso comercial do 5G estar previsto para começar em muitos países a partir do ano que vem, a transição vai ser gradual.

Fonte: BBC Brasil