“Observando, incrédula, a primeira imagem que eu já fiz de um buraco negro que estava em processo de reconstrução”, escreveu a cientista Katie Bouman em um post compartilhado no seu perfil do Facebook após a foto do objeto ter se tornado pública.

Era para ser só mais uma quarta-feira (10/4), mas um grupo de cientistas marcou o dia como uma data histórica para a ciência: eles divulgaram a primeira imagem já capturada de um buraco negro. E uma das principais responsáveis pela façanha inédita é a cientista Katie Bouman, de 29 anos, que construiu o algoritmo capaz de capturar a imagem.

O jornal Washington Post fez um perfil da cientista e mostrou que Bouman é pesquisadora de pós-doutorado no Centro Harvard-Smithsonian de Astrofísica e estava trabalhando no tal algoritmo há quase seis anos, desde que ela era uma estudante de pós-graduação no Massachusetts Institute of Technology (MIT).

O mais impressionante é que ela já havia desenvolvido um algoritmo há muito tempo, mas contou somente aos colegas de equipe.

Como funciona?
O grupo usou o algoritmo para processar dados coletados pelos telescópios que estavam espalhados pelo mundo em um esforço coletivo de astrônomos, engenheiros e matemáticos.

No entanto, “um número infinito de imagens possíveis” poderia explicar os dados obtidos, explicou Bouman em entrevista ao jornal. E foi aí que entrou o trabalho dos algoritmos que tiveram que “organizar o caos”.

O buraco negro, cerca de 3 milhões de vezes maior que o planeta Terra, foi apelidado pelos astrônomos de “monstro”.

Evolução
Pelo Twitter, o MIT publicou uma foto de Katie com os drives que agregaram todos os dados usados pelos cientistas.

Ao lado dela, uma imagem em preto e branco mostra a cientista Margaret Hamilton, que ajudou a escrever o código do algoritmo que foi capaz de levar o homem até a lua.

Preconceito na web

O MIT, onde ela estudou, postou no Twitter um tweetcomparandouma foto sua com os discos rígidos do projeto e a engenheira da Nasa Margaret Hamilton e seus cadernos com o programa de computador que levou o homem à Lua.

E não demorou muito para as reações negativas aparecerem. O Youtube, por exemplo, recebeu uma enxurrada de vídeos que tentavam desacreditá-la, e dizendo que um colega dela, Andrew Chael, “branco e hetero”, tinha feito a maior parte do trabalho. Chael foi ao Twitter para repudiar os vídeos (link em inglês), e casualmente completou que ele era “um astrônomo gay“.

Com informação do Wahington Post, agências de notícias e Ada.