O maior avião comercial em operação hoje é o AirBus A380. Ele tem envergadura é de 79 metros,bem menor que os 117 do Stratolaunch, avião que Paul Allen, um dos fundadores da Microsoft, planeja colocar no ar ainda esse ano.

Os números do Stratolaunch são impressionantes: 117 metros da ponta de uma asa à outra, capaz de decolar com um peso máximo de mais ou menos 589 toneladas e nada mais que 128 quilômetros de fios para interligar todos os sistemas em operação na aeronave.

O intuito desse projeto é tão surpreendente e audacioso quanto os números que o rodeiam: o objetivo é lançar foguetes para o espaço em pleno ar.

Seu design também surpreende. O avião parece um catamarã, um daqueles barcos com dois cascos paralelos, e a cabine de controle fica na frente da fuselagem à direita.

Projeto Antigo

O projeto teve início na segunda metade dos anos 1990, quando Allen já havia deixado a Microsoft, empresa que o ajudou a acumular uma fortuna de cerca de US$20 bilhões de dólares.

Seu amor por ficção científica foi o que o incentivou a cogitar mais seriamente a possibilidade de transmitir o sinal de banda larga a partir do espaço. Em sua procura por formas de tirar esse projeto do papel, Allen conheceu Burt Rutan, engenheiro aeroespacial conhecido por criar conceitos inovadores e revolucionários de aviões para a sua empresa, Scaled Composites.

O primeiro encontro não rendeu frutos, mas anos depois Rutan apresentou uma ideia que chamou a atenção do empresário: um foguete capaz de levar pessoas ao espaço, e o foguete, em si, seria lançado através de um avião e não de uma base convencional.

Um dos maiores atrativos da ideia era o investimento, pois Rutan acreditava que o projeto poderia ser concretizado com menos de US$20 milhões, viável para Allen. Nisso, o empresário enxergou uma oportunidade de repetir o feito do ex-colega, Bill Gates: popularizar uma nova tecnologia que, nesse caso, era ainda mais inusitada – viagens ao espaço.

Assim, deu-se início ao primeiro projeto, o Space Ship One – aeronave que rendeu alguns sucessos à dupla, fazendo algumas viagens ao espaço no início dos anos 2000. Após o voo do Space Ship One, Allen e Rutan se afastaram por alguns anos, até que o engenheiro encontrou uma forma de colocar em prática o plano do avião gigante: o Stratolaunch.

Estrutura

Construir a asa da aeronave foi um dos maiores desafios que a dupla enfrentou, pois era preciso que as asas tivessem mais de 120 metros de envergadura e fossem, ao mesmo tempo, resistentes e leves. Esse problema foi resolvido por Rutan, que desenvolveu uma técnica de fabricação na qual uma máquina puxa um material em um ritmo constante para depois cozinha-lo até que o material endureça. Desse material, foi possível criar diversos segmentos do avião e também os mastros que reforçam sua estrutura.

Rutan também reutilizou partes de outras aeronaves. Assim, o Stratolaunch foi produzido com trens de pouso e motores de diversos aviões e hoje conta com seis motores de Boeing 747.

Allen, por sua vez, decidiu mudar o foco. Em vez de popularizar viagens ao espaço, o empresário decidiu que o objetivo do Stratolaunch seria baratear o lançamento de satélites, que poderiam ser utilizados para diversos fins.

De acordo com o UOL, em 2011, o co-fundador da Microsoft fez uma nova parceria e tinha como objetivo lançar o Stratolaunch e um foguete para lançamentos de satélites ainda em 2015. Com um atraso de três anos no lançamento, Rutan acabou abandonando o projeto.

Hoje, o maior desafio do Stratolaunch é o pouso – por estarem em um dos extremos da aeronave (o cockpit fica na frente da fuselagem direita do avião), os pilotos tem dificuldade para fazer os trens de pouso tocarem o chão ao mesmo tempo. E, por se tratar de uma aeronave de tanta magnitude, é preciso que cada detalhe seja perfeito, para evitar que o voo termine em desastre.  Por hora, só nos resta esperar para ver se o projeto levantará voo.

Fonte: UOL Tecnologia