Google, Amazon e Tesla: novos nomes que dominarão a indústria automobilística

Nas últimas décadas, a indústria automotiva não viu transformações como as que têm ocorrido recentemente. As montadoras, por exemplo, até então acostumadas a deter o poder de decisão sobre as estratégias de desenvolvimento, fabricação e venda de novos modelos de veículos – com o aumento da tendência de digitalização dos automóveis, das linhas de produção e das cadeias de valor – têm visto sua liderança tecnológica no setor ser ameaçada por empresas como Siemens e Bosch.

Com o aumento das ondas de eletrificação e de desenvolvimento de carros autônomos, as montadoras também passaram a ter sua hegemonia de poder ameaçada por empresas de tecnologia, como Tesla, Uber, Google, Amazon, Cisco e Microsoft, entre outras, além de fabricantes de baterias e de outros equipamentos elétricos.

NOVOS ATORES

“As montadoras ainda são os principais atores e que detêm mais poder na cadeia de produção da indústria automobilística. Mas, há alguns anos, começou-se a pensar que esses fornecedores de primeiro nível, que têm se tornado empresas muito poderosas e detido tecnologias que as montadoras não conseguem dominar, podem sobrepujá-las”, disse Roberto Marx, professor do Departamento de Engenharia de Produção da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP).

Essas empresas têm entrado e podem se tornar os principais atores desse setor e mudar sua estrutura e a própria natureza do negócio, avaliaram Marx e outros especialistas participantes do 26º Colóquio Internacional da International Network of the Automotive (Gerpisa, na sigla em francês), realizado de 11 a 14 de junho na USP.

“A grande questão, para a qual ainda não há resposta, é quem vai prevalecer nesse novo cenário de competitividade tecnológica no setor automotivo. Se serão os ‘dinossauros’, que nesse caso são as montadoras de veículos, as iniciantes, que são as empresas de tecnologia, ou ambos”, disse John Paul MacDuffie, professor da Wharton School, nos Estados Unidos.

Na avaliação dele, a indústria automotiva passa atualmente por um momento de mudança disruptiva – que provoca uma ruptura com os padrões, modelos e tecnologias já estabelecidos no mercado.

Os veículos elétricos, por exemplo, representam a primeira mudança fundamental no design dominante no setor automotivo desde 1920. E o automóvel – que já é um produto multitecnológico, composto por entre 5 mil e 10 mil componentes fabricados por uma cadeia de suprimentos global complexa de vários níveis – tem se tornado ainda mais complexo.

“Os automóveis, que são objetos pesados e de movimento rápido que operam no espaço público, têm enfrentado demandas regulatórias ambientais, de transporte e de consumo cada vez maiores. As novas tecnologias estão aumentando ainda mais essa complexidade”, disse MacDuffie.

Estima-se que até 2030, aproximadamente, 70% dos carros fabricados e comercializados no mundo estejam totalmente conectados à internet e que até um quinto da frota de automóveis em circulação no mundo seja composta por carros elétricos.

Os veículos autônomos também podem se tornar realidade em um futuro breve e reduzir o número de mortes no trânsito, mudar os serviços de transporte e o planejamento urbano, eliminar empregos e fornecer maior mobilidade aos deficientes e idosos.

(Com informações da Agência Fapesp)