Para Cláudio Bezerra, diretor de marketing da rede de restaurantes, sucesso da marca está na união da tradição gastronômica a preços acessíveis e uso de novas ferramentas de divulgação

claudio_la_pastaJá há alguns anos, o mercado gastronômico brasileiro vem se expandindo, ganhando cada vez mais espaço para atender de forma diversificada um público curioso e exigente. Os restaurantes de renomados chefs atravessaram gerações de clientes seletos, para então atingir pessoas mais jovens, que se interessam pela boa gastronomia e valorizam momentos compartilhados com os amigos e a família em lugares bem frequentados. No último ano, o mercado de restaurantes no Brasil movimentou R$ 132,5 bilhões, segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação.

Atuando desde 2001, a rede La Pasta Gialla acompanhou de perto essa mudança de mercado. Cláudio Bezerra, diretor de marketing da rede há quatro anos, aponta esse crescimento do público em relação à gastronomia como o ponto forte para que hoje a marca esteja melhor posicionada. “O brasileiro aprendeu a comer melhor, a conhecer a gastronomia, ele está se arriscando mais. Isso é bem importante”. Além disso, exalta a mudança no papel da mulher na escolha do restaurante. Segundo ele, o público do La Pasta Gialla é, em sua maioria, feminino.

Para o diretor, que carrega 15 anos de experiência em diferentes setores – como eventos, SAC, ombudsman e mercado de luxo -, ter uma visão geral do mercado é muito vantajoso para atuar com o marketing em geral e ajuda muito no setor de gastronomia. A construção da marca La Pasta Gialla se dá por várias vertentes, seja pelo trabalho voltado para as franquias, pelo trabalho na mídia ou pelo trabalho em torno de seu DNA: Tão italiano quanto a Itália. “No La Pasta Gialla, a gente busca o tradicional, aliando com aquilo que tem de moderno lá na Itália. É um trabalho de laboratório mesmo, de entender o que estão usando lá, quais são as referências para as melhores combinações. A intenção é de realmente explorar a questão dos sabores. Isso o próprio Sergio Arno acaba fazendo muito bem”.

Para manter a identidade da marca em uma rede de franquias de alcance nacional, Bezerra reconhece a importância do marketing regional. “Temos uma demanda institucional com programação anual do que precisa ser feito e de como deve ser feito, para abastecer os franqueados. É o business da franquia. Mas também atuamos de uma forma regional, fazendo ações direcionadas de acordo com as demandas específicas. Eu posso citar, por exemplo, algumas praças que são diferentes de São Paulo, como Salvador, Fortaleza e Curitiba. Nesses casos, é preciso entender a região e atuar diretamente na localidade”.

O diretor de marketing reforça a necessidade de transmitir constantemente a imagem de uma marca refinada, porém acessível. “Quando falamos em alta gastronomia, é claro que acaba espantando um pouco o consumidor. Ele não sabe quanto vai gastar, qual é o valor do prato. Isso é um comportamento muito comum. Por isso, o que fazemos é trabalhar junto com essa informação a divulgação dos preços, para mostrar que não é tão caro.” Colocar um cardápio na porta ou divulgar um menu executivo é fundamental, explica, pois serve para  mostrar que  é possível ir a um restaurante de qualidade e ser bem atendido por um valor bacana.

A preocupação em manter a rede de franquias alinhada em relação ao seu próprio DNA é importante para a percepção do público, que muitas vezes acaba testemunhando a favor da marca na internet. “Atualmente as redes sociais tem um papel fundamental. A partir do momento que o cliente posta uma foto do prato que está deliciando, por exemplo, ele acaba replicando uma experiência positiva que favorece novos clientes e o reforço da marca. O mesmo acontece em relação ao “check-in”, que tem um efeito muito interessante, já que a pessoa só posta que está naquele local por entendê-lo como algo que lhe confere algum tipo de status. A resposta da marca, nesse caso, deve ser de muita responsabilidade em relação à entrega”.

O maior desafio em trabalhar com rede de restaurantes, sem dúvida, são os momentos de crise, reconhece Bezerra ao acreditar que nas horas difíceis o marketing faça a diferença.  “A crise, de fato, nos ensina a trabalhar, a repensar as estratégias, a usar todas as ferramentas desde marketing promocional, a fidelização, incentivo até o endomarketing, prática que eu particularmente uso bastante.” Ao se deparar com uma crise, o profissional precisa saber usar e escolher as ferramentas mais baratas, rápidas e que tragam melhor retorno. “São nesses momentos que você consegue se reinventar e buscar soluções criativas e inovadoras”.

Isso vale para as marcas e para os negócios. Em meio à crise econômica que o Brasil atravessa, o chef Sérgio Arno inovou mais uma vez ao lançar o La Quottidiana Trattoria e Rosticceria, uma franqueadora de comidas que podem ser preparadas em casa.  Antenado às mudanças de comportamento do consumidor, Arno percebeu que as pessoas apuraram seus paladares ao frequentar restaurantes e, agora, exigem qualidade também em casa. “Enquanto no restaurante você vai experimentar a comida de um chef, no La Quottidiana você vai produzir sua própria comida. Você assume o lugar do chef.” O grande diferencial da marca, nesse caso, diz Bezerra, é que o cliente tem à disposição massas de qualidade, reconhecidas e premiadas, que podem ser incrementadas a sua maneira.  “É a opção certa para quem é gourmet e gosta de cozinhar. Reunir a família, amigos e se sair bem na experiência”.