A USP, em parceria com a Pasteur, inaugura hoje, 4, uma Plataforma Científica para agilizar a identificação antecipada de vírus e parasitas que causam epidemias. O projeto visa combater casos como o surto de microcefalia que aconteceu no Brasil entre os anos de 2014 e 2015, onde inúmeras crianças nasceram com a anomalia. Somente o esforço de cientistas descobriu a causa: vírus zika. A plataforma será formada por um conjunto de 17 laboratórios voltados à pesquisa para estudos de agentes patogênicos – organismos capazes de causar doença infecciosa em seus hospedeiro – emergentes, cujas infecções podem provocar danos ao sistema nervoso central, como o zika vírus, dengue, febre amarela e influenza, além de protozoários como tripanossomas causadores da doença do sono.

Laboratórios

São quatro laboratórios de biossegurança nível 3 (NB3) – em uma escala que vai de 1 a 4, equiparáveis a parâmetros internacionais. O nível alto de segurança se dá pelo fato de os laboratórios serem utilizados para estudar patógenos de alto risco individual e moderado para a comunidade, ou seja, os microrganismos transmitem doenças potencialmente letais, porém possuem medidas de prevenção e tratamento conhecidas. “A ideia principal é uma estratégia científica voltada, principalmente, à descoberta de soluções para agentes que causam epidemia, como o vírus zika, dengue, mayaro”, explica a pesquisadora Paola Minoprio, diretora de pesquisa do Instituto Pasteur e coordenadora da plataforma, junto com o professor Luiz Carlos Ferreira, diretor do Instituto de Ciências Biomédicas da USP.

Pesquisas

As pesquisas permitirão melhorar a preparação ao combate de epidemias, pois será possível prever antecipadamente o aparecimento delas. “Se conseguimos identificar vírus que estão circulando antecipadamente à epidemia, podemos agir, buscar antígenos e tentar nos preparar, termos reações mais rápidas a emergências virais”, segundo Paola.

A plataforma científica fica no campus Cidade Universitária da USP, em São Paulo. A iniciativa é resultado de uma parceria entre a Universidade com o Instituto Pasteur, uma das maiores organizações de pesquisa em prevenção e tratamento de doenças infecciosas do mundo, e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), referência de ciência e tecnologia em saúde na América Latina.

Paola diz que o Instituto Pasteur é como “célula de intervenção”, pois atua em casos urgentes de epidemia. Como exemplo, lembra do trabalho realizado pelo instituto na República da Guiné quando houve surto de Ébola no país. “Conseguimos elaborar um diagnóstico da doença e medida de proteção para as pessoas que trabalham com biossegurança. Atualmente,  temos um Instituto Pasteur lá, mantido pelo governo da Guiné”, conta.

Segundo Paola, a escolha da USP para sediar a plataforma foi feita com base na relevância e no impacto global da instituição em termos de pesquisa científica. “Além disso, as linhas de pesquisa do Pasteur são muito semelhantes às do ICB e os dois institutos já desenvolvem projetos colaborativos”, explica. Os institutos têm em comum pesquisas nas áreas de Imunologia, Biologia Celular, Microbiologia e Parasitologia.

“A experiência do Instituto Pasteur é a experiência de uma instituição de renome internacional, especialmente nessa área que envolve vírus, doenças infecciosas. Ele é reconhecido e está presente no mundo inteiro”, diz Ferreira. Ele lembra que, nos últimos 80 anos, “não houve uma iniciativa como essa na USP. Estamos trabalhando a internacionalização da pesquisa, do ensino e da inovação.”

Estrutura

O investimento previsto para a finalização da plataforma é de cerca de R$ 40 milhões, sendo R$ 15 milhões em equipamentos. Ela conta com 1.700 m² de área total, na qual irão funcionar 17 laboratórios. Destes, quatro são destinados a um nível maior de segurança, chamado biossegurança nível 3. Essas salas possuem 200 m² e cada uma é composta de três câmaras pressurizadas, garantindo o controle da pressão presente nelas.

Por envolverem análise de microrganismos que apresentam riscos, as salas possuem acesso controlado. Os pesquisadores que atuarão na plataforma passarão por um treinamento de procedimentos de segurança. Toda essa estrutura está localizada no Centro de Inovação e Pesquisa (Inova) da USP.

Fonte: Jornal da USP