“A bicicleta já existia. A inovação foi atender a essa demanda”

Talita Noguchi conta a história da bicicletaria-bar Las Magrelas

testeA bicicletaria Las Magrelas foi criada em 2012 com o objetivo de ser um espaço de interação social com viés político. Há “seis anos ou mais” imersos no cicloativismo, os sócios, Talita Naguchi e Rafael Chacon, largaram os empregos e foram trabalhar em bicicletarias da cidade de São Paulo. Aprenderam o ofício de mecânico, se tornaram ativistas para a questão da mobilidade urbana e viram que as tradicionais lojas de bicicletas não atendiam às suas necessidades.

“Queríamos nossa própria bicicletaria, com um espaço de convivência também. Esse espaço seria um bar”, conta Talita.  A simples ideia, que era de um lugar onde as pessoas pudessem se sentar e conversar, foi se tornando complexa. “As pessoas precisam ir ao banheiro, comer, beber. Existem várias dificuldades ao se criar um bar”.

Segundo Talita, o desenvolvimento do projeto e a captação de recursos demoraram um ano. Com o know how dos sócios com as magrelas, o desafio era a elaboração e estruturação do bar. Joana Rocha, ex-sócia, ficou com essa incumbência e fez um curso de administração de bares e restaurantes. Após um ano à frente da cozinha, deixou a sociedade e hoje é uma colaboradora permanente. “Ela fez um trabalho muito bem feito aqui no bar, eu só deixei a máquina andando depois que ela saiu”, elogia Talita.

Os sócios já conheciam o mercado de bikes, tinham o contato dos fornecedores e sabiam onde encontrar os melhores preços. Um dos principais desafios foi a captação de recursos para colocar o projeto para andar.  “O capital inicial que precisávamos era de R$ 100 mil. Nós conseguimos com dez investidores”, conta a sócia. O contrato assinado garantiu aos amigos pessoais e financiadores do projeto um retorno do valor investido com 50% de lucro em um prazo de três anos. “Foi difícil. Conseguir dinheiro é difícil. Mas é um nicho bem ideológico. Acreditaram na nossa ideia e compraram”. A credibilidade pelo envolvimento com o cicloativismo e o feminismo foram essenciais para o financiamento do Las Magrelas.

Em 2013, o faturamento foi de R$ 250 mil e Talita fala sobre a expectativa de 2014: “a gente acabou de fechar as contas. A estimativa é de que o faturamento de 2014 tenha superado os R$ 250 mil também”.

Foto: Divulgação Facebook

Talita Noguchi, Rafael Rodolfo Chacon e Pedro Francisco Cruz. Foto: Divulgação Facebook

Em 2015, os próximos passos são aumentar a capitalização, levantar o negócio e fazer algumas mudanças estruturais. “Os dois primeiros anos foram de acertos. A gente se adequou ao mercado, vimos onde a gente pisava, o que a gente precisava fazer ou não”. Com a saída da ex-sócia, veio o primeiro grande desafio. Os sócios que ficaram são mecânicos e, a partir daí, tiveram também que fazer o restaurante rodar.

Para Talita, a maior dificuldade em começar um projeto inovador é a imaturidade ao abrir uma empresa. Quando se tem um negócio, você precisa se adequar a diversas formas de trabalho: braçal, administrativo, vendas… É necessário se livrar do “espirito de funcionário” e tomar atitudes sem que alguém precise mandar, ter proatividade: “As coisas não vão se resolver até que você as resolva”.

O crescente número de ciclovias em São Paulo é uma notícia positiva para o Las Magrelas. O crescimento do número de adeptos da bike traz um público bastante fechado, mas suficiente para suprir as necessidades comerciais da casa. “Eu não sei atender a outro público. Se a gente fizer não vai dar certo”.

Segundo a empresária, é necessário ir contra a corrente para alcançar o sucesso. “Tudo que vai na contramão dos antigos modelos tem tudo para dar certo se for bem planejado”, defende. Segundo ela, a cidade vive em padrões ultrapassados. A demanda de usuários de bicicletas já existia, a bicicleta já existia. A inovação foi atender a essa demanda, criar um espaço de convivência e unir ativismo com prazer.

Serviço:

Las Magrelas

Rua Arthur de Azevedo, 922 – Pinheiros – São Paulo

Segundas a Sábados – 12h às 22h

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