Costureira

450 costureiras: startup digitaliza mercado da costura

Com aplicativo, logística própria e uma rede de profissionais parceiras, a EXBARRA quer organizar a contratação de ajustes de roupas sem retirar da costureira o protagonismo técnico do serviço

Encontrar uma costureira ainda costuma começar da mesma forma: alguém pergunta a amigos, familiares ou vizinhos se conhecem uma profissional de confiança.

Para quem trabalha com ajustes de roupas, a conquista de novos clientes também depende, em grande parte, das indicações acumuladas ao longo dos anos.

Foi ao observar essa dinâmica que Tatiana Queiroz criou a EXBARRA, plataforma que conecta consumidores a costureiras parceiras e organiza as diferentes etapas do serviço — da solicitação à devolução das peças.

A proposta não é substituir o conhecimento da profissional, mas utilizar tecnologia, atendimento e logística para estruturar uma jornada que ainda funciona de maneira fragmentada.

Atualmente, a EXBARRA reúne cerca de 450 costureiras cadastradas em São Paulo, na região metropolitana e no ABC.

Primeiro o serviço, depois a fotografia

No aplicativo, o cliente começa escolhendo o tipo de ajuste de que precisa, como barra, pence ou outro serviço disponível.

Depois da escolha, envia uma fotografia da roupa. A imagem não é utilizada para definir o serviço, mas para permitir que a costureira analise previamente as características da peça e verifique se possui a linha, os materiais e os equipamentos necessários para executar o trabalho.

Quando o ajuste exige uma referência de comprimento ou caimento, o consumidor também pode encaminhar uma peça base: uma roupa semelhante que já tenha o resultado desejado e possa orientar a profissional.

A costureira continua responsável pela execução técnica. A plataforma organiza as informações, direciona a solicitação e acompanha o andamento do pedido.

Declaração sugerida — validar com Tatiana antes do envio:

“O nosso desafio não era simplesmente colocar costureiras em um aplicativo. Precisávamos entender como traduzir para o ambiente digital informações que normalmente são trocadas durante uma conversa ou uma prova presencial.”

A empresa começou pelas costureiras

Antes de concentrar esforços na atração de consumidores, a EXBARRA decidiu formar sua rede de profissionais.

Duas pessoas da área comercial passaram a mapear costureiras em São Paulo, na região metropolitana e no ABC. O processo aconteceu principalmente por indicação: uma profissional apresentava outra, que indicava uma terceira.

A estratégia respondia a um desafio comum aos marketplaces. Não adiantaria atrair consumidores sem ter profissionais disponíveis e com especialidades compatíveis com os pedidos.

A construção da rede também ajudou a empresa a compreender diferenças entre tipos de ajustes, tecidos, materiais e equipamentos. Nem toda costureira realiza os mesmos serviços, e a fotografia enviada pelo cliente contribui para essa avaliação inicial.

Em setembro de 2025, aproximadamente cem costureiras participaram de um encontro promovido pela EXBARRA para conhecer a proposta da plataforma e conversar sobre a construção da operação.

Hoje, a empresa reúne cerca de 450 profissionais cadastradas.

Declaração sugerida — validar com Tatiana:

“Começamos pelas costureiras porque a plataforma só faria sentido se existisse uma rede preparada para atender aos pedidos. Esse processo também nos ensinou que tecnologia não substitui confiança, conhecimento técnico ou relacionamento.”

Uma operação que não termina no aplicativo

A digitalização de um serviço físico criou outro desafio: as roupas também precisavam circular.

Para organizar essa etapa, a empresa desenvolveu a EXBARRA Log, sua operação própria de logística. A estrutura realiza o transporte das peças durante a coleta, o encaminhamento para a costureira e a devolução ao cliente.

Pelo aplicativo, o consumidor consegue acompanhar as diferentes etapas do pedido até a entrega.

A logística própria diferencia a EXBARRA de uma plataforma que apenas apresenta profissionais. A empresa participa da jornada, organiza a movimentação das roupas e concentra as informações do serviço em um único ambiente.

Declaração sugerida — validar com Tatiana:

“Percebemos que não bastava conectar o cliente a uma costureira. Se o consumidor ainda tivesse de organizar sozinho o transporte e acompanhar o pedido por diferentes canais, boa parte da conveniência seria perdida.”

Tecnologia para apoiar uma profissão tradicional

A EXBARRA trabalha com costureiras parceiras. São elas que avaliam tecnicamente as peças e realizam os ajustes.

A plataforma busca facilitar o acesso das profissionais a novas solicitações e organizar informações que, fora do ambiente digital, normalmente circulam por mensagens, telefonemas ou conversas presenciais.

Por isso, a empresa evita apresentar a tecnologia como substituta do trabalho humano. A proposta é utilizar o aplicativo para apoiar uma atividade que depende de experiência, precisão e conhecimento técnico.

Caso algum serviço precise de correção, a EXBARRA faz a intermediação com a profissional parceira e solicita o refazimento do ajuste.

Atendimento presencial para várias peças

A empresa também começa a incorporar à plataforma o EXBARRA Premium, modalidade voltada para clientes que desejam ajustar várias roupas em um mesmo atendimento.

O serviço começa com uma conversa com a concierge, na qual o consumidor explica suas necessidades e agenda uma visita.

Na data marcada, uma concierge e uma costureira vão até a residência para realizar provas, marcações e medições. É possível reunir até dez peças no atendimento.

Depois, a EXBARRA coordena o encaminhamento das roupas às profissionais parceiras e a devolução ao cliente. O prazo máximo informado pela empresa é de sete dias.

As peças retornam passadas, etiquetadas, embaladas individualmente e prontas para uso. O valor do atendimento varia de acordo com a região e com a necessidade de deslocamento.

A experiência do Premium está sendo integrada ao ambiente digital da EXBARRA para permitir que o cliente acompanhe as etapas até a entrega.

Uma empresa construída a partir da observação do mercado

Tatiana atuava havia cerca de 15 anos como executiva comercial quando começou a pesquisar o mercado de ajustes de roupas. Até então, não possuía experiência profissional em moda, costura ou desenvolvimento de tecnologia.

Ao estudar o setor, identificou uma atividade com demanda recorrente, profissionais experientes e baixa organização digital.

Sem conhecimento prévio em programação, buscou desenvolvedores para transformar a proposta em produto. A tecnologia foi construída ao mesmo tempo em que a fundadora pesquisava as rotinas das costureiras e as dificuldades enfrentadas pelos clientes.

Até aqui, Tatiana investiu aproximadamente R$ 700 mil de recursos próprios no desenvolvimento da plataforma e da operação.

A história da EXBARRA mostra que digitalizar um mercado tradicional exige mais do que criar um aplicativo. É preciso compreender as relações existentes, traduzir processos presenciais para o ambiente digital e conectar tecnologia a uma operação física.

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