Cientistas da Escola de Medicina da Universidade Emory, em Atlanta, nos Estados Unidos, publicaram um estudo que promete revolucionar a medicina – de acordo com os resultados apresentados, o aplicativo de celular desenvolvido durante a pesquisa promete acabar com as agulhas no diagnóstico da anemia.

O aplicativo foi desenvolvido como parte do trabalho de doutorado do engenheiro biomédico Rob Mannino. Portador de uma doença hereditária no sangue, causada por uma mutação genética, o engenheiro se inspirou no próprio problema para desenvolver um software que, por meio de uma fotografia das unhas, consegue identificar se o usuário está com níveis adequados de hemoglobina no sangue.

Foto pelo celular e algoritmo para teste

Para o desenvolvimento do aplicativo, pesquisadores usaram fotos das unhas de 337 pessoas, entre elas, pacientes saudáveis e pacientes já diagnosticados com o distúrbio. Com base nas imagens, os experts desenvolveram um algoritmo capaz de identificar o padrão saudável de coloração e os que representam deficiência nos glóbulos vermelhos.

Escolhidas como a parte do corpo ideal para análise, as unhas foram destacadas porque a pele sob as unhas não contém melanina, pigmento natural que varia de acordo com cada pessoa. Assim, as fotografias conseguem captar uma tonalidade padrão, o que permite resultados precisos e consistentes, independentemente do tom de pele do paciente.

Como funciona

O app utiliza metadados de imagem para corrigir o brilho de fundo e as variáveis da câmera de cada fabricante e modelo do aparelho de celular utilizado. Uma única imagem de celular, sem regulagem personalizada, pode dar um resultado com até 97% de precisão, segundo os desenvolvedores do aplicativo.

Porém, de acordo com os pesquisadores, o segredo está na calibragem obtida com o uso constante do aplicativo: de acordo com os testes, em quatro semanas de uso contínuo, o aplicativo “aprende” o perfil do usuário e começa a dar resultados tão precisos quanto um exame de sangue comum. Apesar disso, os desenvolvedores da nova tecnologia frisam que o aplicativo deve ser usado para triagem e não para diagnóstico definitivo.

O objetivo dos cientistas com essa novidade é facilitar o autocontrole de pacientes com anemia crônica, pois o app possibilita o monitoramento constante do distúrbio e, assim, os usuários podem identificar os momentos nos quais precisarão de ajuda médica, sem o incômodo das picadas de agulhas constantes. Além disso, os desenvolvedores esperam que o sistema possa ser utilizado em comunidades sem acesso a laboratórios, sobretudo em países subdesenvolvidos.

Fonte: BBC News Brasil