Centro de Pesquisa em Alimentos da USP lançou um aplicativo da Tabela Brasileira de Composição de Alimentos (TBCA), que está em sua sétima versão. Ampliada e com novos recursos de busca, a tabela traz a composição química e o valor energético de cerca de 3.500 alimentos, incluindo crus e cozidos, produtos manufaturados e pratos compostos. São quase 2.100 receitas listadas.

O aplicativo estará disponível na loja de aplicativos para Android. Por meio dele, o usuário terá acesso à composição centesimal (umidade, proteínas, lipídios, carboidratos, cinzas e energia), as vitaminas A e C, cálcio, ferro e sódio de cada alimento. “A vantagem do aplicativo é a mobilidade, o acesso à informação pelo celular caso não se tenha computador disponível”, explica a nutricionista Kristy Soraya Coelho, pesquisadora do FoRC que trabalha no projeto desde 2015.

Novos recursos

A Tabela Brasileira de Composição de Alimentos tem o objetivo de auxiliar profissionais de nutrição na montagem de cardápios e dietas personalizadas, além de ajudar a comunidade em geral a atingir a meta de uma alimentação saudável. Sua base de dados também se propõe a auxiliar pesquisas que envolvem quantificação de nutrientes em alimentos. A tabela trabalha majoritariamente com dados dos alimentos mais consumidos pelos brasileiros.

A nova versão está abrigada em um site de alto rendimento, que permite milhares de acessos simultaneamente. O sistema de busca foi modificado para facilitar o trabalho de nutricionistas e pesquisadores. O usuário pode fazer buscas por alimento, grupo ou tipo de alimento. “A busca por tipo de alimento, incluída na ferramenta nova, facilita muito. Por exemplo, em uma busca pelo alimento “feijão”, no tipo “preparação”, só aparecerão receitas com feijão, e não o feijão in natura”, exemplifica Kristy. Uma busca como essa trará uma lista com dados de 35 receitas, desde feijão carioca até salada de feijão fradinho, sopa de feijão, feijão preto, mocotó com feijão branco, etc.

Outra forma de busca é pelo componente, associado ao grupo e tipo de alimento que interessa ao usuário. Exemplo: ao selecionar “colesterol” (componente), “peixes e frutos do mar” (grupo de alimentos) e “in natura” (tipo de alimento), aparecem todos os peixes e frutos do mar crus com este componente, ordenados de forma decrescente ou crescente conforme a quantidade de colesterol.

Foto: Reprodução/TBCA

Eliana Bistriche Giuntini, nutricionista e pesquisadora do FoRC, também envolvida no trabalho, destaca que as receitas incluem diferentes modos de preparo e ingredientes que levam em consideração hábitos de públicos distintos. Houve a preocupação, por exemplo, de colocar preparações com ou sem óleo. “Outro exemplo: arroz polido com sal, sem sal; arroz integral com sal, sem sal, e assim por diante”, conta. “Os dados da Tabela Brasileira também estão sendo produzidos em função da demanda da Pesquisa de Orçamento Familiar (POF), do IBGE, com o objetivo de subsidiar o instituto com dados atuais para análise de consumo alimentar”, acrescenta Eliana.

Pioneirismo

A Tabela Brasileira de Alimentos foi primeira tabela de composição de alimentos on-line da América Latina e foi ao ar em 1998. Atualmente, é a mais abrangente feita no País. Desde sua origem, segue os preceitos do International Network of Food Data Systems (Infoods, da sigla em inglês), que define regras para análise e compilação de alimentos, e tem como meta melhorar a qualidade da informação de composição de alimentos mundialmente.

O acesso para consulta é gratuito e livre, mas é necessário adquirir licença paga para o uso de sua base de dados em uma outra ferramenta de trabalho.

O projeto é coordenado pelos professores Franco Lajolo e Elizabete Wenzel de Menezes, ambos integrantes do FoRC e docentes da Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF) da USP.

Fonte: Jornal da USP