Uma pesquisa realizada pelo Ibope com o Google indica que 83% dos clientes de fintechs hoje também tem produtos bancários tradicionais — o desafio das novatas é como atrair e reter esses clientes num ambiente cada dia mais competitivo.

Pesquisa

O Google realizou sua pesquisa online em outubro de 2019 com 500 pessoas maiores de 18 anos de todas as regiões do Brasil e descobriu que, entre os entrevistados, os moradores das regiões Nordeste e Norte são os mais abertos a migrar de um banco para uma fintech. 22% dos entrevistados do Nordeste e 21% do Norte disseram que estariam dispostos a trocar as instituições tradicionais por startups, contra 16%, 15% e 10% dos ouvidos das regiões Sudeste, Centro-Oeste e Sul, respectivamente.

Insatisfação com instituições tradicionais

Para Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotiva, faz sentido que moradores do Nordeste e Norte estejam mais dispostos a migrar para os serviços oferecidos pelas startups, pois nessas regiões, a insatisfação com os bancos é muito maior. “O banco tradicional foi feito para ricos, as portas giratórias são como detectores de pobres. Na região Sul, por exemplo, que proporcionalmente tem mais classe A e B, o acesso aos bancos tradicionais é maior”.

Guilherme Horn, conselheiro da ABFintechs, concorda com a visão de Meirelles. “No Norte e Nordeste tem uma oferta menor, menos concorrentes, é natural que os serviços bancários sejam piores e mais caros, o que abre espaço para que as fintechs tenham uma adesão maior”.

Startups de serviços financeiros

No Brasil, ao todo, só 16,5% dos entrevistados pelo Google estão dispostos a mudar para uma startup de serviços financeiros. Outros 41,9% não sabem se o fariam e 41,6% não estão dispostos, o que indica que essas empresas ainda têm um longo caminho a percorrer.

Entre os que responderam que não trocariam seus bancos por fintechs, 40,3% disseram que não o fariam porque estão satisfeitos com o serviço tradicional, 18,7% não conhecem as startups o suficiente, 14,8% não confiam nelas, 22,4% não entendem como os serviços prestados por elas funcionam e 3,4% consideram os produtos que elas oferecem menos atrativos que os atuais.

Como pontuou Vitor Zenaide, líder de insights para o segmento de finanças do Google, os números indicam que o problema não são os produtos oferecidos, mas falta de conhecimento e confiança sobre as próprias empresas. Segundo a empresa de tecnologia, 78% dos clientes que usam produtos das fintechs estão satisfeitos com o serviço, contra 55% que estão contentes com o serviço de bancos tradicionais.

Avaliando as pesquisas que são feitas no buscador, o Google apontou que os clientes brasileiros hoje são curiosos e buscam empresas que ofereçam as melhores soluções de forma rápida. Em 2018, por exemplo, o número de buscas por “Qual é a melhor maquininha de cartão?”, “Qual é o melhor banco digital” e “Qual é o melhor fundo de investimento” cresceu 84%, 285% e 84%, respectivamente, em relação ao ano anterior.

Estar bem posicionado para atender essas demandas do consumidor brasileiro pode ser a chave para uma empresa se sobressair entre as 529 fintechs existentes no país atualmente.

Fonte: Exame