Empreendedorismo

“Questionar o que você faz é a raiz de inovar”

Os pilares da Gestão Dialética de Murilo Sampaio ajudam a compreender o papel da liderança na rotina empresarial

DSC_0025Entre conhecimentos filosóficos e aprendizados administrativos, Murilo Sampaio caminhou para um esclarecimento inovador que hoje dissemina em palestras e através de seu site Gestão Dialética. Engenheiro Mecânico pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro e Doutor em Administração de Empresas pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, o consultor empresarial tem atualmente quatro empresas sob sua tutela. No histórico, cargos de lideranças em grandes companhias como a Manserv, na qual chefiou mais de 16 mil colaboradores no decorrer de dez anos.

“Eu virei diretor de empresa muito jovem. Com 28 anos eu já tinha 2.000 subordinados. E ser engenheiro ajudava muito pouco. Então forçosamente eu precisei conhecer o ser humano”. Com essa máxima, Murilo deu início a um crescimento profissional que o tornaria um verdadeiro líder. Em busca de diferenciação, estudou muitos anos na Alemanha e introjetou o caráter inovador do mercado estrangeiro para trazer essas características para o Brasil. Em entrevista ao site Inteligência & Inovação, o gestor pontua o caráter pouco inovador do mercado brasileiro, sempre temeroso ao risco e muito pobre no desenvolvimento da inovação em ciclo completo: a partir da ideia, da pesquisa básica, da pesquisa laboratorial, do patenteamento, para então chegar a algo efetivo. Como ele aponta, em sua maioria, o olho-2jun-1Brasil participa somente da multiplicação de conhecimento desenvolvido em outras partes do mundo. Para estar no topo da cadeia, Murilo alerta que é necessária uma mudança cultural. “Primeiro é preciso criar uma cultura de que o erro acontece. Você não consegue inovar sem errar minimamente. E inovar, muitas vezes, tem a ver com a postura em relação à vida”.

Murilo define o empreendedor como alguém que tem grande capacidade de abstração sem tirar os pés do chão. Daí vem a dialética defendida em seu discurso: a natureza contraditória do ser humano é a chave para a inovação. O empreendedor é, dessa forma, aquele que dá a luz a mudança. “É o cara que faz acontecer aquilo que ninguém tem coragem. Não precisa nem ser o novo necessariamente, mas é o novo naquele momento e naquele local”.

No entanto, manter uma rotina propícia a essa lateralidade de pensamentos representa um grande desafio para a maioria das empresas. Em seu site, Murilo destrincha a Gestão Dialética em quatro pilares principais: liderança, rotina, estratégia e inovação. Ele aponta que a rotina de uma empresa precisa ser gerida estrategicamente, de forma que a inovação torne-se uma motivação no dia a dia dos funcionários. É aí que entra o líder, para realizar a ponte entre esses pilares. “Você não pode desenvolver atividades
autoexcludentes. Você não pode tornar as pessoas apenas operacionais. Uma pessoa é um tesouro. Se
você pega essa pessoa e explica pra ela que ela tem que carimbar um negócio 8 horas por dia, ela vai abdicar de si própria, do tesouro que ela tem. Eu não quero que o meu funcionário bata cada vez mais olho-2jun-2rápido alguma coisa repetitiva. Eu quero que ele tenha visão crítica do que é isso que ele está fazendo”.

Esse ponto é reforçado por Murilo como a base para a inovação. Questionar o que se faz seria o caminho para a luz do novo. “Se eu não estabelecer o contraditório, eu retiro o humano da vida das pessoas. A contradição está dentro de nós. Todo esse atrito de ideias aparentemente antagônicas é que geram a luz do novo. Se você retirar isso da rotina das pessoas, você quebra a inovação”.

Para mais informações sobre seu trabalho, acesse: http://murilosampaio.com/

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