Tipos raros de câncer são tema de fórum em São Paulo

Evento reunirá especialistas no dia 28 de agosto para debater formas pouco frequentes da doença, com maiores dificuldades de pesquisa, diagnóstico e tratamento

 

Diante do diagnóstico de um câncer, pacientes enfrentam grandes dificuldades de acesso a cuidado mesmo nos casos mais comuns da doença, como os tumores de mama, útero, próstata e pulmão; quando o câncer é raro as barreiras são ainda maiores e, muitas vezes, intransponíveis. Isso porque pouco se sabe e quase nada se discute sobre fatores de risco, sinais e sintomas, meios de diagnóstico e tratamento. Com o objetivo de jogar luz sobre a jornada ainda tão obscura, ignorada e mesmo negligenciada desses pacientes, o Instituto Oncoguia promove, no dia 28 de agosto, em São Paulo (SP), o Fórum Temático A Realidade do Câncer Raro no Brasil. As inscrições são gratuitas.

Entre essas doenças estão o timoma, o câncer de pele de células Merkel e grupos inteiros de tumores, como os sarcomas – cânceres raros que apresentam mais de 80 subtipos totalmente diferentes entre si. A incidência esparsa torna os sarcomas desconhecidos até dos médicos e o fato de serem raros faz com que haja pouco interesse na pesquisa e desenvolvimento de tratamentos. O advento de terapias mais sistêmicas, como a imunoterapia, que estimula o sistema de defesa do corpo a atacar o tumor, foi fundamental para o avanço do tratamento de tumores raros. Essa e outras possibilidades serão discutidas no evento.

Especialista no assunto, o médico oncologista Rodrigo Munhoz, que atua no Hospital Sírio-Libanês e no Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp) – além de ser membro do comitê científico do Instituto Oncoguia -, destaca que a forma de entender o câncer e de dar nome e “sobrenome” a cada tipo de tumor vem mudando com o tempo, o que dificulta uma definição precisa do que é um câncer raro. Segundo Munhoz, “casos ou subtipos de câncer que aconteçam em alguns mil pacientes por ano já podem ser considerados tumores raros”. Mas existem aqueles tão raros que acontecem na proporção de menos de um paciente por um milhão ao ano. Assim, numa área populosa como a Região Metropolitana de São Paulo, com quase 20 milhões de habitantes, não se espera a ocorrência acima de 10 ou 20 casos por ano.

Luciana Holtz, presidente do Instituto Oncoguia, ressalta a dificuldade do diagnóstico precoce no Brasil mesmo dos grupos mais conhecidos de câncer. “Pacientes de diferentes tipos de câncer raro compartilham com o Oncoguia as dificuldades que enfrentam desde o diagnóstico, que quase sempre é confuso e pouco conclusivo. Precisamos conhecer todas as dificuldades para poder enfrentá-las – como o tempo que se leva para diagnosticar o problema, quais exames precisam ser feitos, que médicos e especialistas procurar etc. Por isso a necessidade de fóruns como este, para trazer o assunto à tona.”

As dificuldades, de acordo com Munhoz, não são poucas. Ele explica que a doença rara pode, em algumas situações, apresentar-se de forma mais agressiva. Nesses casos, ainda que sem um diagnóstico definitivo, o padrão de crescimento pode acabar suscitando a possibilidade de se tratar de um câncer e tornar a investigação um pouco mais rápida. “Mas não é o que acontece, por exemplo, com o sarcoma. Ele pode muitas vezes nascer como um nódulo que não chama muita atenção por um período, não dói, não cresce rapidamente. Somente com o passar do tempo, e depois de alguma avaliação inicial infrutífera, é que se estabelece o diagnóstico. Essa heterogeneidade de apresentação é uma dificuldade adicional.”

Outro problema, alerta Munhoz, é que muitas vezes o patologista ou o radiologista consegue presumir que o paciente tem um câncer, mas não consegue dar nome e “sobrenome” ao tumor. As análises subsequentes podem, então, tomar muito tempo, retardando essa avaliação inicial, fundamental para que se consiga oferecer uma chance de cura no momento oportuno. O baixo grau de suspeição por parte dos especialistas, justamente pela raridade da doença, é outra dificuldade.

“Encontrar centros de referência e neles discutir os tumores raros também é fundamental para que se consiga oferecer o melhor tratamento”, enfatiza Munhoz. Outros desafios, completa, são conseguir fazer estudos comparativos (diante do baixo número de casos) que mostrem os melhores caminhos de tratamento e que permitam a comprovação científica para aprovação de drogas e medicamentos.

 

SERVIÇO

Fórum Oncoguia – A realidade do câncer raro no Brasil

Data: 28/08/2018

Horário: 8h-14h

Local: Golden Tulip São Paulo

Endereço: Alameda Lorena, 360, Jardins – São Paulo (SP)

Inscrições: bit.ly/ForumCancerRaro

 

Sobre o Instituto Oncoguia

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