O título, que quase lhe custou a vida, veio com muita luta por reconhecimento em meio ao machismo do esporte

Aos 31 anos, Maya Gabeira já conquistou o maior objetivo de sua carreira: ser reconhecida como a recordista no surf de ondas gigantes. A façanha perseguida por ela desde 2013, só veio agora, em 2018, ao entrar para Guinness Book, depois de enfrentar a maior onda do mar de Nazaré, em Portugal, com 20,7 metros. Na primeira tentativa, em novembro de 2017, ela quase morreu no mar.

Essa primeira aventura em Nazaré foi há cinco anos. Com apenas 20 dias de treinamento, a surfista avistou a parede de água que se formava e avançou contra a onda. Na descida com a prancha sofreu um forte impacto que levou às cenas de afogamento que podem ser vistas até hoje na internet . Foi resgatada com um tornozelo quebrado, dores no pulmão e uma recuperação lenta que a afastou do esporte por dois anos.

Maratona burocrática

 Superar o trauma e a insegurança parece não ter sido tão difícil quanto foi ser reconhecida como a primeira mulher a surfar a maior onda. Após vencer a etapa física, começava a burocrática: para escrever seu nome na história do esporte a Liga Mundial de Surf teria que reconhecer o recorde. Maya fez o pedido, mas a resposta foi decepcionante: na premiação Big Wave Awards, somente o título masculino foi anunciado (24,3 metros). Ela teve que viajar até a sede da liga, na Califórnia, para pedir – e insistir outras vezes – que seu recorde fosse reconhecido.

Nove meses se passaram até que, em 1º de outubro, o recorde foi finalmente gravado no Guinness Book: “A maior onda surfada por uma mulher: 20,7 metros. Surfista: Maya Gabeira.” Toda a trajetória valeu a pena.

Com informações da Revista Veja e agências internacionais