“Olha isso!” A aposentada Maria Rosa Lopes, 83 anos, se emociona com o passeio pela metrópole portuguesa. Ela revê as lojinhas, as casas antigas, os barcos no Rio Douro. Olhos marejados de alegria, a paciente do Hospital Municipal do Idoso Zilda Arns, em Curitiba (PR) retira os óculos de realidade virtual que a transportaram da cama da enfermaria para a cidade do Porto, em Portugal, onde passou férias com o marido há alguns anos. “Parecia que as minhas cunhadas estavam andando comigo”, relata.

A experiência faz parte da terapia de reminiscências, uma iniciativa do enfermeiro Bruno Henrique de Mello que tem auxiliado no tratamento dos pacientes de longa permanência. “As imagens ajudam a lembrar bons momentos”, conta Bruno.

Segundo ele, a terapia é um apoio para tornar o ambiente mais agradável e reduzir o risco de delirium, quadro de confusão aguda comum em pacientes idosos de longa permanência. “Quando passam muito tempo longe de casa, eles podem ficar confusos e até agressivos. Com a imersão na realidade virtual, conseguimos melhorar o humor e quebrar a rotina hospitalar”, diz o enfermeiro.

O uso dos óculos também faz com que os pacientes movimentem o pescoço para observar os cenários virtuais, uma atividade física leve, mas importante para eles.

Autorizado pelo hospital, Bruno usa o próprio equipamento nos pacientes. Mesmo em caráter experimental, o esforço do enfermeiro foi abraçado pela equipe do posto 4, onde trabalha. Ele pretende registrar os casos de reação ao uso de realidade virtual para atestar que trata-se de uma boa prática – vinculada à Secretaria Municipal da Saúde, a Fundação Estatal de Atenção Especializada em Saúde (Feaes), que administra o Hospital Municipal do Idoso, realiza um concurso anual que premia ideias como a de Bruno. A iniciativa dele conta com o apoio da coordenadora do setor de ensino e pesquisa da Feaes, Isabel Zanata.

À medida que os resultados surgirem, Bruno espera acrescentar novos estudos para propor à fundação que adquira mais óculos de realidade virtual para que a prática entre na rotina do hospital. “É o meu sonho”, revela.

A terapia de reminiscência é muito utilizada em pacientes com demência. Estudos apontam que o tratamento possibilita uma continuidade entre passado e presente ao permitir que o paciente reviva experiências agradáveis, como conquistas profissionais e viagens em família. Ao se concentrar nos bons momentos, a terapia ajuda a pessoa a valorizar os ganhos e a minimizar as perdas.

O Hospital Municipal do Idoso, no Pinheirinho, é pioneiro no país no atendimento a pacientes com mais de 60 anos e referência no Sistema Único de Saúde (SUS), com 98% de satisfação dos usuários. No mês de março, completou sete anos de funcionamento.

Com informações da Agência de Notícias da Prefeitura de Curitiba.