A startup brasileira So+Ma, juntamente com uma equipe na Índia e outra na África do Sul, venceu o desafio global Social Innovation Challenge on Plastics para encontrar soluções inovadoras para o descarte do plástico e questões sociais decorrentes. A iniciativa foi liderada pela Unilever em parceria com a Acumen, instituição americana com parceiros e projetos ao redor do mundo que visam mudar a maneira com que lidamos com a pobreza. Foram centenas de inscritos e cada vencedor levou para casa US$ 25 mil – que serão investidos para ampliar e profissionalizar as ideias apresentadas. Além disso, as startups passarão por sessões de mentoring conduzidas por especialistas da Unilever.

O escopo dos projetos vencedores vai além do descarte do plástico: visa dar nova perspectiva de vida às pessoas que trabalham na cadeia produtiva e desempenham um trabalho essencial à saúde pública, mas vivem em situação de grande vulnerabilidade social.

Reconhecimento

Ao trocar plástico por pontos digitais, a startup brasileira trabalha para mudar comportamentos em torno da reciclagem em comunidades de baixa renda do Brasil. O eixo do trabalho da So-Ma é recompensar quem descarta corretamente os resíduos sólidos com cursos, exames médicos, itens de alimentação básica, descontos em supermercado, entre outros. Hoje, o empreendimento social já conta com mais de duas mil famílias atendidas e quase 90 toneladas de materiais recicláveis arrecadadas.

Os pontos de coleta, chamados de Casa So+Ma, estão presentes em São Paulo, com postos na Cidade Tiradentes e Grajaú; em Periperi em Salvador; e em Curitiba, na Cidade Industrial. O modelo também beneficia coletivos de catadores. Como as estações de coleta só aceitam recicláveis limpos e classificados, os coletivos podem trabalhar nessa frente e comercializar o material pronto para a venda.

“Estamos muito animados com a dimensão que nosso projeto tomará com o aporte recebido. Conseguiremos estimular a reciclagem de plástico e reverter benefícios que tangem não apenas o meio ambiente, mas mudam a perspectiva de vida das pessoas envolvidas”, comenta Cláudia Pires, fundadora da So+Ma. “Nossa ideia é expandir o programa de reciclagem para escolas municipais. Já estamos em contato com autoridades e prefeitura, mas para que o modelo dê frutos, é necessário engajar toda a comunidade escolar: alunos, pais e corpo docente”, planeja a empreendedora.

“Apenas 3% do plástico gerado no Brasil é reciclado. Por isso, apoiar projetos como o da So+Ma nos permite incentivar e contribuir positivamente para mudar essa realidade”, comenta Antonio Calcagnotto, head de sustentabilidade e assuntos corporativos da Unilever Brasil. “Queremos trabalhar cada vez mais em rede para dar amplitude e alavancar ações que nos movam para a mesma direção – aumentar a consciência e consequentemente os índices de reciclagem em nosso País.”, completa o executivo.

Outras vecendoras

Plastics for Change nasceu na Índia, país repleto de complexidades sociais e onde a reciclagem ainda é incipiente. Para contribuir com essa realidade, a startup desenvolveu uma plataforma online que facilita marcas e fabricantes globais comprarem plástico reciclado de alta qualidade a partir de cadeias de suprimentos responsáveis.

Ao utilizar o canal, os fabricantes têm a certeza de que os catadores trabalharam em instalações seguras e receberam devidamente para a produção dos itens a serem comercializados.

 Regenize, empresa sul-africana, foi a terceira vencedora. Nkazimlo Miti e Chad Robertson quando souberam que apenas 5% das famílias na África do Sul reciclavam seus resíduos, decidiram fundar a empresa de reciclagem construindo um aplicativo. No entanto, eles aprenderam rapidamente que o desafio do gerenciamento de resíduos exigia mais do que tecnologia: eles precisavam mudar o comportamento das famílias e trazer dignidade e profissionalismo para a atividade. Sendo assim, a Regenize oferece suporte aos catadores para que os materiais coletados sejam reintroduzidos no mercado de maneira formal e pelo valor adequado. Dentro de três anos, a startup espera atender 150 mil famílias e criar 145 empregos permanentes.