O cenário de empreendedorismo brasileiro cresce descolado dos últimos anos de morosidade econômica — o que é visto também pelos corredores do centro de empreendedorismo tecnológico Cubo Itaú, no bairro Vila Olímpia (São Paulo).

O espaço de coworking e de conexão com grandes empresas abriga 125 startups em seu prédio. Elas faturaram 540 milhões de reais até agosto deste ano. É mais do que o dobro do que os 230 milhões de reais em faturamento vistos em todo o ano passado. Contando espaço físico e plataforma digital, o o ambiente tem 250 startups em 15 setores de mercado. Esses negócios escaláveis e inovadores têm 3.200 funcionários e geraram 770 empregos apenas em 2019, além de uma base de 33.000 talentos cadastrados na plataforma de vagas.

O crescimento dessas startups e do próprio Cubo Itaú — a empresa se mudou para um local quatro vezes maior no ano passado — é o retrato de um cenário de investimento de capital de risco e de interesse de grandes empresas em startups cada vez mais acelerado.

Mais investimento

O centro de empreendedorismo tecnológico foi criado em 2015 pelo Itaú Unibanco e pelo fundo Redpoint Eventures, quando o universo de startups ainda começava a tracionar. De lá para cá, o Cubo Itaú estima que o Brasil seja o quinto país do mundo em número de unicórnios, com dez startups avaliadas em um bilhão de dólares ou mais.

“Vimos um amadurecimento muito grande do ecossistema brasileiro. Temos startups para todas as indústrias e todas as áreas dentro de uma empresa”, afirmou Renata Zanuto, codiretora do Cubo Itaú, durante coletiva de imprensa realizada hoje (20) no centro de empreendedorismo tecnológico, em comemoração a quatro anos de existência do espaço.

Hoje, as startups vão além do Itaú Unibanco e se conectam a mais de 30 mantenedores do Cubo Itaú — como Coca-Cola, Dasa, Grupo Pão de Açúcar, Kroton, Renault e TIM. Quase 250 desafios de empresas foram publicados na plataforma digital do Cubo Itaú neste ano, gerando 180 negócios fechados entre os mantenedores e as startups do centro de empreendedorismo tecnológico.

“As necessidades dos consumidores se transformam sempre. Por isso, as grandes empresas também precisam mudar se quiserem continuar relevantes e expandindo”, afirma o codiretor do Cubo Itaú Pedro Prates. “Essa virada não precisa vir apenas de dentro das companhias. Vemos grandes executivos virem aqui e aprenderem de jovens com suas startups.”

O Cubo Itaú também foi criado pelo fundo de investimentos Redpoint eventures, mas as startups captam aportes com os mais diversos veículos. Nos últimos dois anos, os negócios escaláveis e inovadores no Cubo Itaú receberam 480 milhões de reais em investimentos.

O valor reflete um aumento do investimento geral em negócios escaláveis e inovadores brasileiro. No último ano, 1,3 bilhão de dólares foram investidos em startups brasileiros — e o número promete aumentar para 2019, tendo-se em vista os recentes aportes polpudos de fundos como o Latin America Fund, do conglomerado japonês SoftBank. Bom para as startups buscando capital — inclusive as espalhadas pelos corredores do Cubo Itaú.

Fonte: Revista Exame