Tecnologia que transforma palha e bagaço de cana em combustível

Pesquisadores desenvolveram tecnologia que transforma palha e bagaço de cana em combustível. O resultado desse processo é o etanol de segunda geração, ou etanol celulósico, obtido a partir dos resíduos submetidos a uma enzima da região amazônica.  Essa novidade poderá aumentar em até 50% a produção brasileira de álcool.

Isolada, caracterizada e produzida, a enzima descoberta no lago Poraquê, na Amazônia, mostrou-se compatível com duas fases essenciais da produção do etanol de segunda geração: a fermentação e a sacarificação. A realização simultânea dessas duas etapas oferece a perspectiva de uma grande redução de custos para a indústria sucroalcooleira, uma vez que as reações podem ocorrer em um único reator e há economia de reagentes.

A sacarificação é a etapa mais cara do processo. De 30% a 50% do custo do etanol celulósico é despendido com as enzimas necessárias para transformar os açúcares complexos em açúcares simples.

“O grande propósito do nosso estudo foi encontrar biocatalisadores capazes de contribuir para o aumento da eficiência”, disse Mario Tyago Murakami do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), um dos coordenadores da pesquisa recém publicada na Biochimica et Biophysica Acta (BBA) – Proteins and Proteomics. Ele assina o artigo junto com mais pesquisadores do CNPEM, da Petrobras, da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).

Os pesquisadores  investigaram os processos naturais que ocorrem em diferentes biomas do país, tanto na Floresta Amazônica como no Cerrado. E, segundo Flavio Henrique da Silva, da UFSCar, outro coordenador do estudo, o achado mais promissor ocorreu no lago Poraquê, na Amazônia.

“Em um habitat como o Lago Poraquê, os microrganismos adaptaram-se a uma alimentação muito rica em polissacarídeos, constituída por resíduos de madeira, folhas de plantas”, explica Murakami.

O passo seguinte será  fazer estudos de combinação dessa enzima com os coquetéis enzimáticos fúngicos já existentes, visando o ganho de eficiência no aumento da sacarificação e, tendo êxito, o  objetivo da equipe é patentear esse fungo trabalhado com a enzima.

(Com informações da Fapesp)